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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

FÉ E DOMINAÇÃO

Uma das coisas que mais buscamos na existência humana é a resposta de nossa existência. Porque estamos aqui? Por termos uma inteligência diferenciada dos outros animais nos consagramos divinos, santos, merecedores e até eternos. Não tenho dúvida que esta crença parte de nossa necessidade de um firmamento. Nas antigas existências tínhamos vários deuses, dependendo da tribo ou da cultura. A falta de resposta para o desconhecido se resumia a um “Deus”. Ele é a resposta de tudo. Como a categoria de Deus está no patamar de poder, então quem tinha poder também se igualava a um “Deus”. E ter um Deus significar adorar e também ser subserviente. Sempre estar pronto para dizer o sim senhor. Mas como somos dotados da tal inteligência alguns percebiam que não passava de instrumento de dominação os mais fracos de pensamento e compreensão ou por puro medo mesmo. Assim surgiu a luta de classes. Não uma luta entre sistemas econômicos, mas uma luta pela defesa de uma fé que não nos agredisse. Uma fé que nos alimenta de bondade e não de exploração e de repressão através do medo do pecado e da punição. Se Deus é bondade e perdão porque os castigos deveriam vir? A questão da justiça divina se remete a uma justiça humana. Nós criamos a necessidade de uma justiça que nos garantisse uma dominação. Todas as “justiças” implantadas durante os milênios são com base humana, mas com justificativa divina. Os reinados, os impérios, a “santa” inquisição e as bíblias. Em todas elas, o ponto de partida é a fé e depois a obediência. Nascemos com a fé naturalmente porque percebemos cedo que existe algo maior do que nós, que é a natureza. Mas existem os espertos que percebem o poder através da manipulação desta fé para fins pessoais de riqueza material. E este interesse gera a criação de doutrinas que estipulam as regras da dominação. As mulheres são as maiores vítimas destas regras. Desde a condenação a torturas e à fogueira acusadas de bruxaria por não aceitarem esta dominação ou por querer viver livremente sua opção de vida. Na esmagadora história das culturas as mulheres sempre estão no papel, não só da maternidade, mas de obediência aos homens graças a estas bíblias que orientam agradar a Deus quando se é obediente. A fé está em nós assim com a solidariedade, a justiça, o companheirismo e a necessidade de viver em grupo. A fé é natural e a doutrina é invenção nossa.

Sérgio Lira

Comunicador e pesquisador popular

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