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segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Retrato de Jesus Cristo

Especialistas ingleses e suíços analisam lâminas de bronze encontradas na Jordânia que poderiam conter um retrato de Jesus, ao mostrar o rosto de um homem com uma coroa de espinhos e a inscrição “Salvador de Israel”.
Conforme informa o jornal britânico Daily Mail, os 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 em uma colina com vista ao Mar da Galiléia. As peças atualmente são avaliadas sob estrita confidencialidade por peritos na Inglaterra e Suíça para determinar sua antigüidade e procedência, mas se estima que datariam do século I da era cristã.
O códice mais chamativo tem o tamanho de um cartão de crédito, está selado por todos lados e oferece uma representação em três dimensões de uma cabeça humana.
O dono dos códices é Hassan Saida, um caminhoneiro beduíno que vive na aldeia árabe de Umm Al-Ghanim, Shibli. Ele negou-se a vender as peças e só cedeu duas amostras para que sejam analisadas no exterior.
Segundo o jornal, as peças foram encontradas originalmente em uma cova da cidade de Saham na Jordânia. A cova está a menos de 160 quilômetros de Qumran, a zona onde se acharam os famosos papiros do Mar Morto, uma das evidências mais famosas da historicidade do Evangelho.

Enquanto arqueólogos realizam o estudo para legitimar as peças encontradas, resta-nos como o mais verdadeiro retrato de Jesus Cristo, um texto descritivo, de valor incomensurável, escrito por Públio Lêntulus,
Públio Lêntulus é contemporâneo de Jesus Cristo e em um documento dirigido ao imperador Tibério César fez uma descrição física e espiritual de Jesus. Uma descrição de quem realmente viu-o, e no caso assistiu às pregações de Cristo. Esta carta que encontra-se exposta em Jerusalém, foi escrita ainda durante a vida de Jesus Cristo e é portanto o retrato mais fiel que se pode ter, mais ainda que qualquer texto bíblico, por haver sido escrita na época considerada. Leia o texto e revele você mesmo o retrato em sua mente: “Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar-vos, escrevo-vos esta carta. Nestes tempos apareceu na Judéia um homem de virtudes singulares, que se chama Jesus e que pelo povo é chamado de ‘O Grande Profeta’. Seus discípulos dizem ser ele o ‘Filho de Deus’. Em verdade, ó César, cada dia dele se contam raros prodígios: ressuscita os mortos, cura todas as enfermidades e tem assombrado Jerusalém com sua extraordinária doutrina. É de estatura elevada e nobre, e há tanta majestade em seu rosto que aqueles que o vêem são levados a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos cor de amêndoa madura, separados ao meio, os quais descem ondulados sobre os ombros, ao estilo dos nazarenos. Tem fronte larga e aspecto sereno. Sua pele é límpida e corada: o nariz e a boca são de admirável simetria. A barba é espessa e tem a mesma cor dos cabelos. Suas mãos são finas e longas e seus braços de uma graça harmoniosa. Seus olhos são plácidos e brilhantes, e o que surpreende é que resplandem no seu rosto como raios do sol, de modo que ninguém pode olhar fixo o seu semblante, pois quando refulge, faz temer, e quando ameniza, faz chorar. É alegre e grave ao mesmo tempo. É sóbrio e comedido em seus discursos. Condenando e repreendendo, é terrível; instruindo e exortando, sua palavra é doce e acariciadora. Ninguém o tem visto rir. Muitos, porém, o têm visto chorar. Anda com os pés descalços e com a cabeça descoberta. Há quem o despreze vendo-o à distância, mas estando em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito. Dizem que este Jesus nunca fez mal a ninguém, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm andado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde. Afirma-se que um homem como esse nunca foi visto por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, nunca se viram tão sábios conselhos e tão belas doutrinas. Há todavia os que o acusam de ser contra a lei de Vossa Majestade, porquanto afirma que reis e escravos são iguais perante Deus. Vale, da Majestade Vossa, fidelíssimo e obrigadíssimo. (ass.) Públio Lêntulo, Presidente da Judéia”.
Paulo Sotter

fonte:http://blogdosotter.blogspot.com/2011/06/o-retrato-de-jesus-cristo.html

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que é o Espiritismo?

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade
D
eus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.
A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
Há no homem três coisas:
1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.
Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.
Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante.
Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.
A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.
Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.
O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.
Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e assemelhar-nos a eles.
As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.
Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de conseguí-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conforme os seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.
Extraído de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec.

Igreja Anglicana

SER ANGLICANO SIGNIFICA
Ser parte da Igreja de Cristo, sem excluir ou isolar-se de outros cristãos, participando da vida do povo de Deus, com suas alegrias e tristezas.
Pertencer a uma comunidade onde cada pessoa é respeitada em sua individualidade e pode utilizar os seus talentos.
Apresentar uma teologia baseada nas Escrituras Sagradas e na Tradição, coerente com a inteligência e com a razão.
Estar disposto a celebrar a unidade na diversidade.
Considerar com serenidade as Escrituras Sagradas, sem crer que cada passagem deva ser interpretada literalmente.
Perferir a liberdade em Cristo, mas que a uniformidade de opiniões.
Sentir devoção e reverência pelos sacramentos, sem tentar definir cada ponto desses grandes mistérios.
Conceber o ministério como dever e privilégio de todos os batizados.
Insistir na moralidade (aquilo que é bom e edifica) e evitar o moralismo (que define a salvação decorrente de uma conduta e não pela obra de Cristo).
Participar da herança apostólica, a fé no Evangelho de Cristo.
Ser parte de uma história antiga e sagrada, que se renova a cada dia.
Crer que a Igreja é de todos e que todos têm o privilégio de sustentá-la segundo a possibilidade de cada um.
Participar da administração e do governo da Igreja segundo a ordem estabelecida.
Pertencer a uma família internacional, intercultural e inter-racial que, por mandato de Cristo, proclama o Evangelho até o último rincão da Terra.
Texto afixado na entrada da Catedral de Cantuária – Paróquia-Mãe da Comunhão Anglicana – Inglaterra
ORIGEM
Quando as pessoas perguntam pela origem da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), logo querem saber quem foi o seu fundador. A resposta geralmente encontrada nos livros de história geral de que foi Henrique VIII não corresponde à verdade, pelo simples fato de que o controvertido rei não podia fundar algo que já existia. A resposta correta é Jesus Cristo. Todas as igrejas históricas tiveram sua origem nele e se espalharam pelo mundo afora, adquirindo no curso da história características e feições próprias. Algumas se afastaram tanto de seu verdadeiro fundador que perderam suas raízes tradicionais e históricas, sendo por isso consideradas muitas vezes como seitas. Outras conservaram sua origem e tradição apostólica. É o caso da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que atravessou os séculos sem perder suas características, que datam dos tempos apostólicos. A origem da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil foi fruto da expansão do cristianismo dos primeiros séculos, que alcançou primeiramente as Ilhas Britânicas, passando pelos Estados Unidos no século XVII e chegando finalmente ao Brasil em 1890.
HISTÓRIA
O cristianismo chegou à Inglaterra no século III. Nessa época o território estava sob um processo de colonização romana. Os legionários, mercadores, soldados e administradores levaram à colônia suas leis, costumes e religião. Entre eles havia provavelmente aqueles que tinham abraçado a fé cristã e oravam secretamente a Deus, enquanto os seus companheiros prestavam honras ao império, ao imperador e aos deuses das religiões de mistério. Estamos aqui no terreno das conjecturas. A história não deixou documentos que pudessem provar a veracidade dos fatos. Por isso, nos lugares marcados pelo silêncio da história, encontramos lendas e tradições que falam de viagens missionárias que teriam sido feitas àquela ilha pelos apóstolos Paulo e Filipe e por José de Arimatéia. A primeira referência histórica sobre a existência de cristãos na Grã-Bretanha foi registrada por Tertuliano que, em 208, fala de regiões da ilha que haviam se convertido ao cristianismo. Pouco se sabe sobre esses cristãos durante o segundo século. O certo é que, em 314, três bispos ingleses participaram do Concílio de Arles, no sul da França. Esse fato mostra que já havia uma igreja organizada na grande ilha. No começo do século V, os romanos abandonaram a Grã-Bretanha, permitindo a invasão dos anglo-saxões, que destruíram as igrejas e reduziram a prática da fé cristã durante quase 150 anos. Em 597, o papa Gregório enviou uma comitiva de 40 monges, chefiada por Agostinho, para converter os bretões. A obra missionária iniciada por Agostinho foi consolidada por uma segunda missão romana liderada por Teodoro de Tarso. No final do século X, os dinamarqueses invadiram a Grã-Bretanha e destruíram quase tudo, deixando a impressão que Deus havia se ausentado do mundo. Em 1016, houve uma segunda invasão normanda, mas com a diferença de que o rei era cristão e por isso a igreja foi protegida. Doze séculos depois, a igreja inglesa julgou necessário resistir à antiga intromissão papal, rompendo suas relações com Roma.
SINAIS DE REFORMA
Os primeiros sinais da reforma inglesa que vão eclodir na separação provocada por Henrique VIII, em 1534, começaram, na verdade, com Anselmo (1034-1109), que aceitou o convite para ser Arcebispo de Cantuária sob duas condições: que as propriedades da igreja fossem devolvidas pelo rei e que o arcebispo fosse reconhecido como conselheiro do rei em matéria religiosa. A luta que começou entre a coroa e a igreja confirmou, mais tarde, que a Inglaterra fez sua reforma religiosa debruçada sobre si mesma. Henrique VIII não fundou um nova igreja, mas simplesmente separou a igreja que já existia na Inglaterra da tutela e controle romanos por razões políticas, econômicas, religiosas e até pessoais. Durante quase mil anos a Igreja da Inglaterra esteve sob o domínio direto de Roma. Henrique VIII rompeu essa antiga filiação eclesiástica com o apoio do Parlamento. Separada e independente, a Igreja da Inglaterra continuou sua milenar caminhada na história, alternando períodos de influência ora romanístas, ora protestantes. Em 1559, começou o reinado de Isabel I, e com ela veio o controvertido Ato de Uniformidade, que devolveu à rainha o mesmo poder sobre a igreja que tinha Henrique VIII. A era elizabetana foi um período de apogeu. Foi nessa época que começou a colonização da América, onde a igreja anglicana se desenvolveu rapidamente e se organizou principalmente depois da independência americana em 1776. A igreja americana teve seu primeiro bispo em 1784 e manteve a igreja livre do poder civil. Assegurada a sucessão apostólica, a igreja americana se desenvolveu rapidamente, criando dioceses, paróquias e inúmeras instituições. Em 1824, foi fundado o Seminário Teológico de Virgínia, de onde mais tarde saíram os missionários que estabeleceram a Igreja Anglicana no Brasil.
IGREJAS NACIONAIS
Em diversas partes do mundo, as igrejas anglicanas se tomaram autônomas, ou seja, igrejas nacionais ou regionais (incluindo parte de uma nação ou mais de uma nação), formando o que hoje se chama províncias anglicanas ou igrejas anglicanas em permanente comunhão com Cantuária. Esse conjunto de províncias, igrejas nacionais ou regionais forma a grande família da Comunhão Anglicana. No Brasil, a igreja anglicana se chama Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. A expressão episcopal indica que é governada por bispos e a palavra anglicana, antes de significar inglês, aponta para a grande família cristã internacional. Os anglicanos celebram a sua liturgia em terras brasileiras desde o início do século XIX. Entretanto, a igreja voltada especialmente para os brasileiros começou intencionalmente em 1890, quando os missionários americanos Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris estabeleceram a primeira missão em Porto Alegre. No ano seguinte, chegaram William Cabell Brown, John Gaw Meem e a professora leiga Mary Packard. Esses cinco missionários podem ser considerados como os primeiros fundadores da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em solo brasileiro. O primeiro culto na liturgia anglicana foi realizado em 1 de junho de 1890, em Porto Alegre que na época, tinha 60 mil habitantes. Logo depois estabeleceram missões em Rio Grande e Pelotas que, juntamente à capital do estado, se transformaram em importantes centros estratégicos para a expansão e desenvolvimento da nascente igreja. Hoje a Igreja Episcopal tem templos, missões e instituições educacionais e assistenciais em 150 diferentes localidades do país, concentrando-se a maior parte no Rio Grande do Sul. Ao longo de sua centenária história, acumulou uma relação de 95 mil membros batizados e 45 mil confirmados. No mundo, os anglicanos são mais de 70 milhões de membros espalhados por 38 províncias, 450 dioceses em 165 diferentes países nos hemisférios norte e sul.
O EVANGELHO
A igreja existe para continuar a obra ministerial e redentora iniciada por Jesus. Esse trabalho é a proclamação do evangelho ou as boas novas da salvação. Deus é o Senhor do universo e da vida e não apenas da parte religiosa. Porque o homem não merece por seus próprios méritos o amor de Deus, esse amor lhe é outorgado gratuitamente. O homem perdoado por Deus em Jesus Cristo vive na companhia dos fiéis e constitui a comunidade da igreja, recebendo nova vida e poder. Deus em Cristo restaurou a natureza decaída da humanidade naquilo que ela devia ser, de modo que aqueles que vivem em Cristo são libertados da escravidão do pecado e uma nova esperança assegura a certeza do Reino de Deus. A razão de ser da igreja é anunciar essa esperança de uma nova vida pela proclamação do evangelho e pelo testemunho individual e comunitário de seus membros.
EVANGELIZAÇÃO
A missão da igreja hoje é proclamar o evangelho nas diversas sociedades e culturas. Em muitos países desenvolvidos, o secularismo passou a ser uma crença alternativa para o homem moderno e sua influência se espalha rapidamente pelo mundo. Entretanto, para a igreja a fé cristã e a ressurreição de Jesus são os fundamentos das boas novas da salvação que ela proclama. A base da evangelização não é a atividade do homem, mas aquilo que Deus fez e continua fazendo na história humana. A Bíblia conta a história da salvação que Deus realizou em Jesus Cristo, culminando com a destruição das forças das trevas, do pecado e da morte na cruz e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, evangelizar é contar a história da salvação não simplesmente como um evento histórico, mas como uma realidade presente para o homem de hoje como indivíduo e como membro de uma coletividade. Numa sociedade pluralista e secularizada, a história da salvação só terá credulidade se sua verdade for demonstrada em termos de adoração e de qualidade de vida das comunidades cristãs locais. Jesus mostrou o poder do evangelho curando, perdoando e transformando a vida dos pobres e oprimidos. Assim também a igreja deve proclamar as boas novas da salvação de tal modo que as vidas dos indivíduos e das comunidades seriam transformadas pelo poder do evangelho.
DOUTRINAS BÁSICAS
A Igreja Episcopal expressa a sua fé nas palavras de dois grandes credos históricos do cristianismo: O Credo Apostólico e o Credo Niceno, que foram escritos no tempo da igreja indivisa e constituem a confissão normativa da fé católica ainda hoje. Mesmo reconhecendo que as afirmações humanas sobre a natureza de Deus são insuficientes para expressar toda a verdade, a Igreja Episcopal Anglicana estimula o estudo e a pesquisa sobre a verdade em todos os campos do conhecimento humano. Não antepõe limites ao estudo e à investigação honesta e favorece o uso da razão como faculdade dada por Deus para enriquecer e ampliar a verdade revelada. Acredita que o Espírito Santo guia os homens na busca da verdade, capacitando a igreja a relacionar a verdade humana à verdade de Deus revelada em Jesus Cristo. A Igreja Episcopal tem na Bíblia a principal fonte de doutrina, cujas páginas registram os fundamentos históricos do cristianismo, embora de maneira não exclusiva. A tradição cristã abrange muito mais do que a Bíblia. Nela se inclui a valiosa contribuição dos grandes santos e pensadores cristãos, a liturgia, o tesouro devocional acumulado durante séculos e as implicações morais da fé cristã na vida diária. A Igreja Episcopal acredita que as Sagradas Escrituras contém toda a doutrina necessária para a salvação e nada que nelas não possa ser lido ou provado por elas pode ser tido como artigo de fé ou necessário para a salvação.
OS SACRAMENTOS
A Igreja Episcopal é uma igreja sacramental. Os sacramentos são sinais externos e visíveis de uma graça interna e espiritual, dados por Cristo como meios seguros para receber esta graça. Os sacramentos expressam a crença da igreja na natureza sacramental do universo e da vida, significando que Deus está presente e atuante na criação em todos os seus aspectos. Esta verdade foi expressa de maneira definitiva pela entrada de Deus na história humana como homem em Jesus Cristo. Existem dois sacramentos: o Santo Batismo e a Santa Eucaristia. Esses dois sacramentos foram ordenados por Cristo como necessários para a salvação, ou seja, são os principais meios de graça sacramental para aqueles que aceitam o evangelho redentor de Jesus Cristo. Há outros ritos, chamados também de sacramentos menores, tradicionalmente aceitos e reconhecidos pela igreja. Embora não tenham sido especificamente ordenado por Jesus, a Igreja Episcopal os reconhece como tendo também caráter sacramental. São cinco os sacramentos menores: a Confirmação, a Penitência, as Ordens Ministeriais (bispo, presbítero e diácono), o Matrimônio e a Unção dos Enfermos.
O BATISMO
A filiação à igreja se dá pelo batismo, que é o sacramento da iniciação cristã, o ato de ingresso na comunidade eclesial. O sinal externo do batismo é o derramamento da água ou imersão em nome da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e a graça interna e espiritual é a nova vida ou a morte para o pecado e a ressurreição dos mortos. O batismo é o nascimento para a vida eterna, que começa na vida terrena. Pessoas de qualquer idade podem ser batizadas, desde que não tenham ainda sido batizadas. A Igreja Episcopal Anglicana pratica o batismo infantil, como fazia a igreja primitiva, embora os primeiros convertidos ao cristianismo fossem adultos. A igreja é a família de Deus e, como acontece na família terrena, os pais cuidam dos filhos até que adquiram a maioridade para assumirem sua própria responsabilidade. A Igreja Episcopal reconhece como válido qualquer batismo com água feito em nome da Santíssima Trindade. Não pratica o rebatismo. Em caso de dúvida, a liturgia do batismo possui uma fórmula para o batismo condicional. Qualquer pessoa batizada pode participar da Santa Eucaristia e receber regularmente a comunhão.
A SANTA EUCARISTIA
A Santa Eucaristia, também chamada de Santa Ceia ou Santa Comunhão é o alimento espiritual por excelência dos cristãos e o principal ato de adoração pública da comunidade local. O sinal externo e visível do sacramento da eucaristia é o pão e o vinho consagrados pelo sacerdote. A graça interna e espiritual é o corpo e sangue de Cristo. Na última ceia com os discípulos, Jesus disse que toda a vez que comermos deste pão e bebermos deste vinho, estamos fazendo isso em sua memória. A palavra que traduzimos por memória vem do grego avamveoio (anamnesis), que significa muito mais do que simplesmente recordar: significa estar presente. A Igreja Episcopal não procura explicar teologicamente como se dá a presença real de Cristo na Eucaristia, esse santo e profundo mistério, que reúne os cristãos todos os domingos há quase dois mil anos, para participar deste pão e deste vinho em comunhão com Deus, com Jesus e com todos os cristãos de todos os tempos e lugares.
A CONFIRMAÇÃO
Na igreja primitiva, o bispo impunha as mãos sobre os novos membros, pedindo os dons do Espírito Santo para guiar as suas vidas no conhecimento e no amor de Deus. Quando grande multidões começaram a se filiar à igreja, os bispos permitiram que os presbíteros batizassem, mas reservaram para si a imposição de mãos. A igreja espera que todo o membro batizado, em determinado momento de sua vida compareça na presença do bispo, principal guia espiritual e sucessor dos apóstolos, para reafirmar sua intenção de viver como cristãos e receber o tradicional rito da Confirmação, quando estiver suficientemente preparado para fazer sua própria decisão pessoal de seguir a Jesus Cristo é renovar os votos batismais que os padrinhos fizeram em seu nome. A palavra confirmação vem do verbo confirmar, que significa também tomar firme, fortalecer. É a segunda fase da iniciação cristã. Os primeiros cristãos convertidos na igreja primitiva eram adultos e a imposição das mãos era feita logo após o batismo. A pessoa confirmada assume o compromisso de ser um mensageiro das boas novas da salvação na comunidade local. A Confirmação é sempre administrada por um bispo, que outorga ao novo confirmado a responsabilidade de ser uma testemunha do evangelho no mundo. Para ser confirmado, a pessoa precisa ser batizada, ter aceito Jesus Cristo como seu Salvador e receber instrução própria, para ser um fiel membro da comunidade cristã, a igreja.
A FORMA DE SER
A forma de ser das igrejas anglicanas é para muitas pessoas motivo de confusão, principalmente quando ouvem dizer que essas igrejas são tanto católicas quanto evangélicas, tanto conservadoras quanto liberais, tanto hierárquicas quanto democráticas, tanto ficas quanto pobres. O curioso é que essas afirmações são verdadeiras, porque as igrejas anglicanas são abertas, onde todos esses elementos se conjugam e se completam. O Livro de Oração Comum, o mais importante livro depois da Bíblia, estabelece seu culto não segundo uma opinião individual, mas da igreja como um todo, representando a experiência litúrgica da igreja através dos séculos. Sua doutrina estabelece aquilo que acredita serem os verdadeiros valores morais e cristãos. Na sua longa história, a pastoral e a liberdade individual não determinam automaticamente que os seus adeptos têm de fazer isso ou aquilo, mas que para o seu próprio bem devem seguir os ensinamentos da igreja e decidir por si mesmos. É uma igreja que não despreza o uso da razão e da investigação científica. Sua posição liberal e democrática a coloca em posição privilegiada para dialogar ecumenicamente com os demais ramos do cristianismo.
FÉ E PRÁTICA
Para muita gente, a maneira de ser da igreja anglicana é motivo de confusão. Por exemplo, como ser católico e protestante ao mesmo tempo? Como incluir conservadores e liberais sob o mesmo título denominacional? Como ser uma igreja hierárquica (dirigida por bispos) e democrática (governada pelo clero e povo) ao mesmo tempo? Como entender o conceito da diversidade na unidade? Na prática, isso significa que a Igreja Episcopal não diz taxativamente aos seus membros: “Você tem de fazer isso ou aquilo‿. Ao contrário, adota uma atitude de conselho e recomendação: “para o seu bem e crescimento na vida em comunidade, convém que siga o que ensina a sabedoria da igreja, guiada pelo Espírito Santo e pelas Sagradas Escrituras‿. Por isso, para ajudar as pessoas que a procuram, a Igreja Episcopal Anglicana oferece conselhos e ajuda pastoral, formação educacional, espírito de solidariedade, adoração individual e pública e os sacramentos da graça de Deus. Jesus disse que da mesma forma em que havia sido enviado pelo Pai, assim Ele também nos enviaria (João 20:21). Baseada nesse princípio, a Igreja Anglicana focaliza sua missão universal em cinco pontos:
  • proclamar as boas novas do Evangelho;
  • batizar, ensinar e nutrir pastoralmente os fiéis;
  • servir com amor aos necessitados;
  • lutar pela transformação das estruturas injustas;
  • zelar pela integridade da vida em todas as suas manifestações.
ORGANIZAÇÃO
Há três níveis de organização administrativa na Igreja Episcopal: a congregação local ou paróquia; a diocese, formada pelas paróquias e missões de uma determinada área geográfica e dirigida por um bispo; e a igreja nacional. O principal líder nacional é o bispo primaz. O órgão legislativo máximo é o Sínodo, que se reúne a cada três anos, para aprovar as leis e os programas nacionais. O Sínodo é formado por duas câmaras: uma de bispos e outra de clérigos e leigos eleitos pelos respectivos concílios diocesanos. Para executar os programas e projetos aprovados pelo Sínodo é eleito um Conselho Executivo, que representa a igreja e é presidido pelo bispo primaz. Além disso, cada diocese realiza um concílio anual, formado pelo clero e representantes leigos das paróquias e missões, para realizar o trabalho nessa área menor da igreja que é a diocese. A exemplo da igreja primitiva, a autoridade suprema da Igreja Episcopal Anglicana reside na própria igreja como um todo e não em algum indivíduo ou grupos de indivíduos. Dessa forma, nenhuma doutrina pode ser considerada como norma de fé sem a sua aceitação pela igreja toda, reunida em concilio universal em que a igreja inteira esteja representada por delegações devidamente credenciadas. O ministério da Igreja Episcopal é exercido por três ordens: bispos, presbíteros e diáconos, em sucessão histórica desde os tempos apostólicos. As mulheres também participam do ministério ordenado em igualdade de condições com os homens.
COMO SER MEMBRO DA IGREJA EPISCOPAL
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil possui quatro categorias de membros: membros batizados, membros comungantes, membros confirmados e membros em plena comunhão. Membros batizados são todas as pessoas que receberam devidamente o santo batismo e estão arroladas numa paróquia ou missão. Membros comungantes são todas as pessoas batizadas que participam assiduamente da Santa Eucaristia. Membros confirmados são todas as pessoas confirmadas segundo o uso e preceitos do Livro de Oração Comum, e aquelas que, confirmadas por outros bispos de sucessão apostólica, foram devidamente recebidas em comunhão por um bispo da Igreja Episcopal Anglicana. Membros em plena comunhão são todas as pessoas confirmadas que participam assiduamente da Santa Eucaristia e outros ofícios e contribuem fielmente para a manutenção da igreja. Para ser membro da Igreja Anglicana, fale primeiramente com o reverendo da paróquia ou missão mais próxima de sua casa. Ele vai lhe orientar a partir de sua vontade de se filiar à igreja. Certamente você terá de participar dos cultos dominicais e das classes de instrução para aprender mais sobre Jesus e sua Igreja. Se já foi batizado, será natural que em algum dia seja apresentado ao bispo para a Confirmação. Caso já tenha sido confirmado na Igreja Católica Romana ou na Igreja Ortodoxa, será recebido pelo bispo à comunhão da igreja. Qualquer pessoa batizada, confirmada ou recebida em comunhão pelo bispo, que comunga assiduamente e contribui regularmente para o sustento da missão da igreja, é considerada membro da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
O LIVRO DE ORAÇÃO COMUM (LOC)
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil é uma igreja litúrgica que se expressa no Livro de Oração Comum, que é uma espécie de Bíblia da adoração comunitária e individual. Mais da metade de seu conteúdo é retirado da Bíblia. As principais partes do Novo Testamento estão nas porções das epístolas e dos evangelhos, que são lidos aos domingos e nos dias de festas litúrgicas. As passagens bíblicas contidas no lecionário sugerido pelo Livro de Oração Comum possibilitam uma leitura sistemática do Antigo Testamento e duas leituras do Novo Testamento durante o ano. As orações da igreja sempre foram oferecidas a Deus por um livro desde os tempos primitivos. A Igreja Episcopal Anglicana não fez outra coisa senão seguir a antiga prática. O tradicional Livro de Oração Comum foi entregue para uso da igreja em 1549. O livro inglês não era um livro novo, mas o produto reformado de antigas liturgias usadas e desenvolvidas ao longo de um milênio. Desde o começo do século XI, prevaleceu na Inglaterra o Uso de Sartim, nome latino da cidade e diocese de Salisbury, que forneceu a principal estrutura litúrgica do livro. Vários critérios nortearam a revisão do livro de Oração Comum brasileiro depois de 1965, quando a Igreja Episcopal passou a decidir sobre seus próprios formulários litúrgicos: uso na língua do povo, participação efetiva da congregação, simplicidade do rito, equilíbrio entre palavra e sacramento e fidelidade bíblica e patrística. A expressão oração comum significa que as orações são usadas em conjunto, quando os membros da comunidade se reúnem para adoração. Mas podem ser usadas também individualmente, porque nenhuma dessas duas formas de adoração - individual e comunitária - é completa sem a outra. Em Cristo somos tanto indivíduos como membros uns dos outros.
O MINISTÉRIO ORDENADO
Desde os tempos apostólicos, se desenvolveram três ordens de ministros na igreja cristã: bispos, presbíteros e diáconos. A primeira ordem é o diaconato. O diácono é um auxiliar do presbítero na administração dos sacramentos, na instrução do povo, no batismo e na pregação, se para isso foi autorizado pelo bispo. Quando está oficiando, o diácono usa por cima dos paramentos uma estola sobre o ombro esquerdo como sinal de seu ofício. A segunda ordem é o presbiterado, também conhecido como sacerdócio. O presbítero celebra os sacramentos, administra a doutrina e a disciplina da igreja e é o pároco e líder de uma paróquia ou congregação. O presbítero usa a estola sobre os dois ombros como símbolo de seu ofício. O diácono e o presbítero são também chamados de pastores, reverendos ou padres, que são títulos de honra pela função que exercem na igreja. A terceira ordem é o episcopado. O bispo é um presbítero sagrado para ser o pastor-chefe da igreja. É ele que ordena os diáconos, os presbíteros e outros bispos e administra a Confirmação. O bispo é admitido no ofício episcopal segundo a histórica tradição dos apóstolos pela imposição das mãos de três outros bispos. A palavra episcopal significa que igreja é governada e liderada por bispos que, em virtude de sua função histórica, são considerados como símbolos da unidade cristã.
SÍMBOLOS
A Igreja Episcopal Anglicana acredita que Deus é o Criador de todas as coisas e que está continuamente se revelando na sua criação. A igreja expressa essa verdade através da riqueza de sua adoração e do permanente uso dos dons terrenos que Deus nos concede: os edifícios, os templos, a música, a arte sacra, os paramentos e outros materiais de uso litúrgico. As flores e outros objetos que ornamentam o altar embelezam a igreja e simbolizam a alegria da igreja pela ressurreição de Cristo e a verdade de que Jesus é a luz do mundo. As cores do altar e os paramentos do oficiante representam os grandes temas do evangelho e da vida cristã, como a penitência, o sacrifício, a pureza de vida, a vitória sobre o pecado e a perfeição desejada. As cores mais comuns são o branco que simboliza a pureza, o roxo que simboliza a penitência, o vermelho que simboliza o Espírito Santo e o verde (a cor da natureza) que representa a universalidade e a esperança. As vestes são usadas pelo oficiante em obediência a um antigo costume da igreja, simbolizando a natureza e a função do ofício e não a importância da pessoa. As vestes lembram também a natureza democrática da igreja: os que ocupam o mesmo cargo ou exercem a mesma função se vestem da mesma maneira.
PARTICIPAÇÃO
Um princípio básico da adoração anglicana é a participação de seus membros no culto que prestam a Deus, não para receber alguma coisa em troca ou cumprir uma obrigação social, mas para prestar espontaneamente sua gratidão e louvor ao Senhor da vida e do universo. Esta participação aparece no ato de ajoelhar, orar, cantar, ouvir o sermão, comungar e fazer a saudação da paz. São ações externas de adoração que representam uma devoção interna. A Igreja Episcopal dedica grande reverência ao templo, um lugar sagrado, onde o povo se reúne para adorar e orar. Muitas vezes isso é interpretado como sinal de frieza pelos estranhos. Essa reverência significa que Deus “está no seu santo templo‿ e diante dele toda a terra devia se calar. A igreja é um lugar santo. Os episcopais encontram também muita alegria na sua igreja, nutrindo uma grande afeição por ela. Quem participa de um ofício na Igreja Episcopal sai com um sentido mais profundo de ser membro e pertencer a uma grande família cristã. Em qualquer parte do mundo, o episcopal encontra no Livro de Oração Comum a maneira familiar de adorar e descobre que sua vida é ricamente abençoada por Deus em sua santa igreja.

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