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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

FÉ E DOMINAÇÃO

Uma das coisas que mais buscamos na existência humana é a resposta de nossa existência. Porque estamos aqui? Por termos uma inteligência diferenciada dos outros animais nos consagramos divinos, santos, merecedores e até eternos. Não tenho dúvida que esta crença parte de nossa necessidade de um firmamento. Nas antigas existências tínhamos vários deuses, dependendo da tribo ou da cultura. A falta de resposta para o desconhecido se resumia a um “Deus”. Ele é a resposta de tudo. Como a categoria de Deus está no patamar de poder, então quem tinha poder também se igualava a um “Deus”. E ter um Deus significar adorar e também ser subserviente. Sempre estar pronto para dizer o sim senhor. Mas como somos dotados da tal inteligência alguns percebiam que não passava de instrumento de dominação os mais fracos de pensamento e compreensão ou por puro medo mesmo. Assim surgiu a luta de classes. Não uma luta entre sistemas econômicos, mas uma luta pela defesa de uma fé que não nos agredisse. Uma fé que nos alimenta de bondade e não de exploração e de repressão através do medo do pecado e da punição. Se Deus é bondade e perdão porque os castigos deveriam vir? A questão da justiça divina se remete a uma justiça humana. Nós criamos a necessidade de uma justiça que nos garantisse uma dominação. Todas as “justiças” implantadas durante os milênios são com base humana, mas com justificativa divina. Os reinados, os impérios, a “santa” inquisição e as bíblias. Em todas elas, o ponto de partida é a fé e depois a obediência. Nascemos com a fé naturalmente porque percebemos cedo que existe algo maior do que nós, que é a natureza. Mas existem os espertos que percebem o poder através da manipulação desta fé para fins pessoais de riqueza material. E este interesse gera a criação de doutrinas que estipulam as regras da dominação. As mulheres são as maiores vítimas destas regras. Desde a condenação a torturas e à fogueira acusadas de bruxaria por não aceitarem esta dominação ou por querer viver livremente sua opção de vida. Na esmagadora história das culturas as mulheres sempre estão no papel, não só da maternidade, mas de obediência aos homens graças a estas bíblias que orientam agradar a Deus quando se é obediente. A fé está em nós assim com a solidariedade, a justiça, o companheirismo e a necessidade de viver em grupo. A fé é natural e a doutrina é invenção nossa.

Sérgio Lira

Comunicador e pesquisador popular

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FERIADOS RELIGIOSOS NUM PAÍS LAICO - Dr. Gilberto Garcia*


A manifestação religiosa do povo brasileiro é resguardada constitucionalmente a partir do Brasil Império, que manteve a religião oficial vigente no Brasil Colônia de Portugal, com todas a implicações legais da manutenção do estado confessional, ou seja, onde havia uma religião oficial, pelo que o art. 5o da Carta Magna de 1824 estabelecia a liberdade de crença, abrindo espaço para a tolerância na manifestação de outras crenças, “A religião católica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particularmente, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo”, grifo nosso.

Logo após a proclamação da República, é editado um Decreto, que teve a orientação de Rui Barbosa, em 1890, que estabeleceu a liberdade de culto e reconheceu a personalidade jurídica de todas as igrejas e confissões religiosas, mantendo, entretanto, a Igreja Oficial, que inclusive continuou a receber subvenção pecuniária para a subsistência de seus ministros religiosos e seminários, é a Igreja Católica Apostólica Romana.

Referida situação é regulada pelo texto do artigo 6o, “O Governo Federal continua a prover à côngrua, sustentação dos actuaes serventuários do culto catholico e subvencionará por um anno as cadeiras dos seminários; ficando livre a cada Estado o arbítrio de manter os futuros ministros desse ou de outro culto, sem contravenção do disposto nos artigos antecedentes.”, do Decreto do Governo Provisório, 119-A, 07.01.1890, grifo nosso.

Por isso, é a Constituição Republicana de 1891 que finalmente institui no Brasil o princípio da separação da Igreja-Estado, incorporando tanto a liberdade de crença, como a liberdade de culto, estabelecendo que não existência de religião oficial, e por conseqüência ausência de qualquer subvenção oficial, e, de forma ampla, a liberdade religiosa em nosso país, como disposto no artigo 72, parágrafo 7o, “Nenhum culto ou Igreja gozará de subvenção oficial nem terá relações de dependência ou aliança com o governo dos Estados.”, grifo nosso.

Entretanto, de longa data, até mesmo pela forte e natural influência da orientação da até então religião oficial, que foi a Igreja Católica Apostólica Romana, durante quase 400 anos, dos poucos mais de 500 anos que temos de história em solo brasileiro, deixou marcas indeléveis na sociedade brasileira, sendo, esta é uma das explicações que se encontra para tantas cidades com nomes de santos católicos, de templos católicos ocuparem espaços centrais e privilegiados em praticamente todas as cidades brasileiras, da grande influência em todos os campos de atuação, sejam nas artes, nos esportes, na grande mídia, na política, nos negócios, nas tradições etc, e especialmente nos valores do cristianismo, sobretudo relativos a moral e aos bons costumes, incutidos na formação do povo brasileiro.

O preâmbulo da Carta Magna de 1988 registra a crença da maioria de nosso povo na divindade, Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte, para instituir um Estado Democrático, [...], promulgamos sob a proteção de Deus a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil. ...”, grifo nosso, contudo, a conquista da república expressa por todas as constituições brasileiras seguintes, e mantida na Constituição Federal de 1988, que inseriu em seu texto, a garantia da ampla liberdade religiosa, que se refletem como liberdade de culto, a liberdade de crença, e ainda a liberdade de organização religiosa, como demonstram especialmente o artigo 5o [...] - VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos, e, garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias.”

E, ainda, a separação Igreja-Estado, um dos fundamentos do estado republicano, contida no artigo 19, “É vedado à União, aos Estados, e ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles relação de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da Lei, a colaboração de interesse público”, daí vivermos num país laico, onde não existe religião oficial, e todas as manifestações de fé são protegidas pelo Estado, diferente de um país ateu, onde não se permite qualquer manifestação de fé.

É neste contexto que se apresentam os feriados religiosos, eis que, entre outros, temos feriado espírita no município do Rio de Janeiro, dia de São Jorge; feriado no Distrito Federal e no Amapá, alusivo ao dia do Evangélico; e, em quase todas as cidades e diversos estados, são comemorados feriados católicos, dias do padroeiro, tais como Círio de Nazaré, em Belém do Pará, além de diversos feriados nacionais, tais como, de “Corpus Christi”, sexta-feira da paixão, dia de finados, dia do natal, e, especialmente o dia da padroeira do Brasil, fixado pela Lei 6.802/80, que criou o feriado de 12 de outubro, para o “culto público e oficial à Nossa Senhora Aparecida”.

Ocorre que o Estado brasileiro é laico, não possuindo religião oficial, e mesmo o cristianismo sendo a expressão de fé da maioria da população de nosso país, acrescido da grande carga de sincretismo religioso, onde alguns dos cultos e seguidores se confundem, é uma afronta a liberdade religiosa a obrigatoriedade legal de obedecer estes dias de recesso forçado para diversos grupos religiosos, os quais, no exercício de seu direito de cidadão, não reconhece estes feriados.

Destaque-se que o feriado religioso obriga a todos os cidadãos, independente de sua crença, sejam eles ateus, agnósticos, católicos, evangélicos, espíritas, judeus, mulçumanos, orientais, humanistas etc, a respeitá-lo, em função de ser oficial, eis que oriundo de uma lei, que tem ordem pública, o que afronta o princípio da separação Igreja-Estado contido na Constituição Federal.

Existem entendimentos contrários entre os estudiosos do direito, que sustentam que a religião católica, em função de ser maioria, necessita ter respeitado seus feriados, os quais devem ser oficiais, obrigando a todos os cidadãos, por força de sua história e tradição, entretanto, reforçando, ainda, mais este princípio republicano, temos os feriados civis, tais como, da paz mundial, Tiradentes, do trabalho, independência do Brasil, proclamação da República, além das datas de comemoração de fundação dos estados e emancipação dos municípios, em que são feriados oficiais e obrigatórios a todos os cidadãos respeitá-los, sob as penas da lei.

Registre-se que os dias quando se comemora o período momesco, seja a segunda-feira de carvanaval, ou a chamada “terça-feira gorda”, e ainda, a “quarta-feira de cinzas”, e nenhum destes dias é feriado oficial, e sim “feriado tradicional”, não estando os cidadãos obrigados a respeitá-los, e sim existe “uma combinação na sociedade”, o que garante legalidade para os empregadores exigirem que seus empregados compensem os dias não trabalhados.

Cada dia mais aumenta na sociedade o questionamento com relação a estes dias de feriados, seja com relação ao respeito à expressão de espiritualidade do povo, seja também na visão comercial e da prestação dos serviços por órgãos estatais, que, em função dos feriados religiosos deixam de funcionar, causando prejuízos tanto aos empresários e consumidores, como a população em geral que fica impedida de usufruir a utilização dos serviços nas repartições públicas.

Nesse momento surge um questionamento entre a população, Como é que esses feriados poderiam ser extintos?. Na realidade a pergunta é outra: Existe interesse em acabar com todos os feriados religiosos?. Na medida em que esse é um questionamento que deve ser feito a população brasileira, através de seus representantes no parlamento, em todos os níveis, visando o pleno exercício do amplo direito a liberdade religiosa, num estado democrático de direito.

Desta forma, quem sabe, de forma pluralista e democrática, estabelecer-se-á que estes feriados religiosos sejam comemorados privativamente por seus seguidores, como já ocorre em diversas datas religiosas, tais como as guardadas pelos Judeus, que celebram o “Yon Kippur”, o mês reverenciado pelos Mulçumanos, que é o “Ramadã", e ainda,  uma das datas veneradas pelos fiés dos Cultos Afros como o "Dia de Iemanjá", estendendo-se referido direito a todas as confissões de fé, mas não sendo feriado religioso oficial, fundamento republicano do Estado Laico.

Outro caminho é a provocação, por parte dos interessados, ao judiciário brasileiro, via Supremo Tribunal Federal, numa Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF, eis que as leis dos feriados já existiam antes da Carta Magna de 1988, que os recepcionou, e aí com base na Constituição da República Federativa do Brasil, o STF estabeleça qual o limite da separação Igreja-Estado, no que concerne a comemoração de feriados religiosos oficiais num país laico, onde não existe uma religião oficial, e estas convivem harmônica e pacificamente, graças a Deus, brasileiros de todos os matizes de fé.

*Gilberto Garcia é advogado, pós-graduado e mestre em direito. Autor dos Livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida. Site: www.direitonosso.com.br

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Neflins : Anjos Caídos ou Rebelião Alienígena?

A história dos Anjos Caídos é um desses eventos que aparece em quase todas as civilizações da antiguidade. Faz parte da mitologia hindu, judaica, sumeriana, inca... Sempre me chamou atenção tudo que envolve esse evento bizarro onde criaturas celestiais descem a terra, como o nome diz, e tomam pra si as humanas que eram belas aos olhos deles naquela época...
 
 Antes de desenvolvermos qualquer teoria a respeito de quem eram os anjos caídos e o porquê desta atitude ser tão condenável aos olhos dos deuses ou de Deus, é necessário fazer rápida passagem por todas as histórias que descrevem esse evento trágico e decisivo para humanidade.

Lembrando que mito, ao contrário do que muitos pensam, não são estórias inventadas aleatoriamente e de pouco valor na elucidação da nossa gênese ou teoria de como tudo começou. Muito pelo contrário o mito é a forma ou formato da expressão de um povo sobre acontecimentos reais, sendo de menor importância a veracidade de cada detalhe contado no mito. O interessante é deter-se na forma, nos arquétipos que nada mais são que a visão ou o olhar de um povo sobre eventos reais de sua história.

Partindo do princípio de que o mito é um registro válido e importante é interessante apurar o olhar e tentar analisar quais os pontos em comum nesses mitos de diferentes povos que relatam o mesmo acontecimento (cada um a sua maneira), neste caso o evento dos anjos caídos, ou os neflins que vem ao planeta Terra e quebram as regras tendo relações com as filhas dos homens, gerando inclusive uma raça híbrida, seres de grande estatura descritos na bíblia como gigantes sem moral e perversos. Vindo mais tarde a ser o motivo da ira de YAVEH que varreu a humanidade da Terra mandando o dilúvio também descrito em todos esses povos.

No Livro (apócrifo) de Enoque é descrito com detalhes todo o desenrolar da desgraça que se abateu a esse grupo de seres, que por hora chamaremos de celestiais, liderados por Samyaza, um anjo de grande poder que liderou a rebelião e deste grupo de anjos e não LUCIFER.

A palavra Lúcifer, do latim Lux + fero = que traz luz é citado na Vulgata (versículo 12 cap. 14 Isaias) Mas na tradução das bíblias grega e hebraica esse nome não aparece , veja na tradução correta: “Como caíste do céu, estrela filha da manhã. Foste atirada na Terra como vendedora das nações” e São Gerônimo a reescreve desta forma: "quomodo cecidisti de caelo LUCIFER (astro brilhante, ou luz matutina) qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes".

Fica evidente que o termo é latino e lançado por São Gerônimo quando da tradução da Vulgata.

Essa correção é necessária para que possamos abandonar um pouco a interpretação religiosa que se utilizou deste evento para criar ou dar explicação do bem e do mal, colocando Lúcifer como o anjo caído (moralmente) que desafiando a Deus tornou-se Satanás ou Diabo ou qualquer dos diversos nomes dados a este ser que sendo quase perfeito, decaiu, involuiu, degradando-se a ponto de tornar-se o próprio mal e causador de toda iniquidade. Da mesma os outros anjos decaídos tornaram-se os demônios, espíritos sem moral e atormentadores do homem. Porém isto nada mais é que uma interpretação conveniente para a igreja e vigente até hoje nos meios religiosos. 

O que nos interessa, como já foi dito é juntar os pontos, linkar as informações contidas nos vários relatos de outros povos e assim encontrar elementos parecidos, quem sabe assim podemos chegar a vislumbrar o que realmente pode estar por trás do episódio dos anjos caídos.

O Dilúvio é relatado, segundo Antropólogos, em centenas de povos e culturas diferentes do mundo é descrito em fontes americanas, asiáticas, sumérias, assírias, egípcias e persas,  entre outras, de forma  semelhante ao episódio bíblico.

O Deus Inca Viracocha teria mandado o dilúvio para acabar com uma raça de gigantes (neflins) e após este evento teria designado a repovoação da Terra a dois irmãos.

No Dilúvio Maia, deuses após criarem seres para povoar a Terra, percebem que estes seres eram arrogantes, não obedientes e insatisfeitos mandaram o dilúvio para acabar com essa raça de seres (não poupando nenhum deles).

No Dilúvio Sumeriano, o grande Gilgamesh semideus em suas andanças em busca da imortalidade encontra a Utnapishtim e sua esposa (únicos imortais) os quais contam a ele a história do dilúvio (do qual foram poupados pelo Deus EA), que havia sido mandado pelos deuses para exterminar com a humanidade desobediente.

No Dilúvio Grego, Poseidon a mando de deus resolve inundar a terra para por fim a vida da humanidade que havia aceitado o fogo de prometeu no Monte Olimpo.

No dilúvio Hindu, nas escrituras védicas da índia, Svayambuva Manu foi avisado sobre o dilúvio por uma encarnação de Vishnu.

Os elementos em comum sempre são que algum Deus insatisfeito com a raça de viventes na Terra, resolve por fim a esses seres mandando um dilúvio, em quase todos os relatos, algum ser é poupado desse castigo (testemunha que conta os fatos).

Há um consenso nessas histórias que seres que habitavam o planeta não obedeciam aos deuses e foi necessário um evento a nível mundial que os exterminasse, destruindo também quase toda a humanidade.

Interessante verificar que os tais gigantes, ou seres desobedientes não eram humanos comuns, já que para destruí-los era necessário destruir junto à humanidade inteira, portanto não se tratavam de rebeldes comuns.

Bem e afinal quem eram esses seres, anjos caídos, neflins ou gigantes?  Recorrendo as escrituras bíblicas encontramos uma passagem interessante, com interpretação dúbia por parte dos teólogos principalmente:
"Também vimos ali gigantes, filhos de Enoque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos. Números 13:33"
Eram como gafanhotos é sempre interpretado como se referindo a quantidade, porém o mais provável é que fosse quanto à aparência desse seres (diferentes na sua aparência). O termo Neflim é traduzido como gigante, porém analisando esta passagem podemos ver que o termo Neflim não é adjetivo para designar o tamanho desses seres:

"E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Números 13:32"

Comparando essas duas passagens nota-se que Neflins e homens de grande estatura são dois tipos de seres, se não fosse assim porque a diferença na designação desses seres, nessas duas passagens.

Além disso, temos esta outra passagem, de tradução que omite a diferenciação entre os vários seres que habitavam aqui naquela época. Vejam a diferença:

"Também essa foi considerada terra de gigantes; antes nela habitavam gigantes, e os amonitas os chamavam zamzumins; Um povo grande, e numeroso, e alto, como os gigantes; e o SENHOR os destruiu de diante dos amonitas, e estes os lançaram fora, e habitaram no seu lugar; Deuteronômio 2:21"

A tradução como originalmente escrita:

"Também essa foi considerada terra dos Rephaim; os Rephaim habitavam ali anteriormente, e os amonitas os chamavam zamzumins; Um povo grande, e numeroso, e alto, como os Anaquins e o SENHOR os destruiu de diante dos amonitas, e estes os lançaram fora, e habitaram no seu lugar; Deuteronômio 2:21"

Ao traduzir tudo como gigantes, perde-se uma informação crucial: de que havia mais de uma raça de seres, diferente dos humanos, habitando nosso planeta.

Zacharia Sitchin, pesquisador e especialista de escrita cuneiforme dedicou sua vida a tradução das tabuinhas sumerianas, povo que descreve a saga de seres alienígenas oriundos de um planeta Nibiru, que aqui chegaram em busca de um mineral (ouro) para salvar a degradação da atmosfera de seu planeta. Estes seres, os Anunnakis, exímios geneticistas precisaram criar uma raça de seres que os servissem no trabalho de mineração e para isso misturaram seu próprio DNA com o do símio que habitava o planeta para criar o homem. Toda a saga dos Anunnakis é descrita nas tabuinhas sumérias com precisão de detalhes, o povo sumeriano considerava os Anunnakis os deuses criadores, os que do seu vieram. Na bíblia encontramos a correspondência nos Elohim palavra que designa o criador, mas que está no plural, portanto criadores.
Os neflins seriam segundo as traduções de Sitchin, fruto do cruzamento de alguns Anunnakis com as humanas, onde retornamos ao episódio dos anjos caídos.
Para mim fica muito claro que anjos caídos nada mais são que seres advindos do espaço, divinizados e contados em forma de mitos por todos os povos e culturas. Nada mais natural que interpretar desta forma. Inconcebível para o homem simples e tacanho descrever seres de alta tecnologia que chegaram aqui numa época em que nem a roda existia, o que dizer espaçonaves e toda tecnologia que cercava estes seres que chegaram como criadores e colonizadores aqui no planeta.

Porém ouso dizer que não foram só os Anunnakis que habitaram a Terra nessa época primordial, outras raças parecem ter passado por aqui. Os Anunnakis criaram o homem a sua semelhança, portanto aspecto humanóide. Porém há inúmeros registros de outro tipo de ser, também vastamente descrito em toda a mitologia, que são seres de aspecto mais bizarro, geralmente reptóide, descrito em várias culturas como o povo Serpente, ou dragão. Este povo pode ter habitado o planeta até anterior aos Anunnakis, ter sido tão ou mais avançado tecnologicamente e que por algum motivo não deixou descendência, como foi o caso dos Anunnakis.

Sobre esse assunto há varias teorias, a grande maioria especulativa e não conclusiva, sendo a mais difundida de todas a do canalizador David Icke, que se autodenomina contatado ou escolhido, e que através de revelações foi informado que uma raça reptiliana vive ainda aqui na Terra em mundos subterrâneos, ligadas a algumas famílias detentoras do poder atual. Alex Collier, outro famoso canalizador, também se denomina contatado e apregoa que essa raça de reptilianos é maligna, carnívora e é responsável pelo desaparecimento de crianças e pessoas por todo o mundo.

Tirando o excesso de especulação e fantasia que cerca o assunto, não podemos ignorar que são centenas de registros em centenas de culturas que falam desse povo de aparência híbrida meio humano, meio réptil.

Voltando ao assunto deste texto, anjos caídos, podemos conjecturar que talvez a história envolvendo seres rebeldes que tomaram humanas para si e foram amaldiçoados pelos deuses podem ser na verdade, duas raças distintas de seres que habitaram este planeta. Uma disputa interplanetária pelo comando do planeta. Não se trata de uma teoria, afinal não temos fundamentação para isto. Mas há indícios de que este evento dos anjos caídos seja uma das pistas de que a história da humanidade e do nosso planeta possa ter começado muito longe daqui, envolvendo disputa de poder, recursos naturais, engenharia genética e muito mais. Cabe a nós sempre abrirmos nossa mente e expandirmos nossa consciência, para conectar as várias informações disponíveis que passam despercebidas e sofrem todo tipo de distorção no decorrer da história por tantos grupos e seus interesses escusos.

Diana Rosa
Casada, mãe, montanhista e aventureira
fonte:http://aborigine42.blogspot.com/2011/07/neflins-anjos-caidos-ou-rebeliao.html

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

FALANDO SOBRE SEITAS RELIGIOSAS

TRABALHO APRESENTADO NA DISCIPLINA DE INTRODUÇÃO A FILOSOFIA NA FACULDADE DE FILOSOFIA DOM AURELIANO MATOS (FAFIDAM)
ALUNA: Elenice Rabelo Costa
INTRODUÇÃO
No nosso país existem diversas seitas religiosas. Nesse presente trabalho enfocarei apenas algumas delas como as testemunhas de Jeová, o espiritismo e o mormonismo. Sempre levando em conta as verdades irrefutáveis contidas na Bíblia Sagrada como ponto de refutação das heresias defendidas por essas famigeradas seitas.
AS TESTUMUNHAS DE JEOVÁ
Seita fundada por Charles Taze Russel (1852-1916), nos Estados Unidos, em 1881. Russel foi criado na Igreja Presbiteriana e depois passou para a Igreja Congregacional. Em 1869, com 17 anos e totalmente cético (incrédulo) contatou a Igreja Cristã do Advento e absorveu suas doutrinas. A seita chegou, no Brasil em 1922 e hoje tem mais de 500 mil brasileiros, indo de casa em casa.
Nome Oficial: Sociedade Torre de Vigia de bíblias e tratados.
Sede Mundial: Wallkill, NY 1589 (em nova Iorque, nos Estados Unidos).
Sede Brasileira: Caixa Postal 92, 18270 – 970, Tatuí, SP.
Site oficial na Internet: www.watchtower.org
O ESPIRITISMO
Seita codificada por Hipolyte Denizard Leon Rivail (1805-1869), na França, em 1857, Rivail se entendia como cético. Era medico e grande educador, tendo cooperado com Pestalozzi na reforma educacional francesa e alemã. Após tentar explicar o fenômeno das “Mesas Girantes”, rendeu-se ao fato de que os espíritos humanos desencarnados queriam se comunicar com os homens.
Lançou o livro dos Espíritos em 1857, dado como o marco do surgimento do Espiritismo moderno, omitindo seu nome, mas com o pseudônimo de ALLAN KARDEC. Essa seita chegou ao Brasil em 1857 e hoje tem mais de 20 milhões de brasileiros.
Nome Oficial: Espiritismo
Sede Mundial: não tem
Sede Brasileira: não tem. O grupo maior é a Federação Espirita Brasileira (FEB).
MORMONISMO
Seita fundada por Joseph Smith Junior (1804 – 1844), nos Estados Unidos, em 1830. A família de Smith foi da Igreja Metodista. Em 1820, com 15 anos, diz que pergunta a Deus a que igreja deveria se unir. Deus e Jesus lhe aparecem e Deus diz que todas as igrejas abomináveis. Mas Deus iria restaurar o Cristianismo a partir dele. Em 1830 foi criada a nova igreja. Essa seita chegou ao Brasil em 1935 e hoje tem quase um milhão de brasileiros.
Nome Oficial: Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos dias
Sede Mundial: em Salt Lake City, em Utah (Cidade do Lago Salgado), nos EUA.
Sede Brasileira: São Paulo – SP
Pagina oficial na internet: http://www.lds.org.br/



EM BREVE SERÁ PUBLICADA A CONTINUAÇÃO DESTE TRABALHO REFERENTE AS SEITAS RELIGIOSAS..
ESTOU ABERTA A CRITICAS E SUGESTÕES;;
GRANDE ABRAÇO A TODOS
ELENICE RABELO COSTA

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Você sabe quantos deuses tem a hítotia parecida com a de Jesus?

As semelhanças dogmáticas com as religiões de mistério provariam que o cristianismo não é o resultado de uma revelação divina, mas o produto de um sincretismo religioso.


A teoria do "Mito de Cristo" afirma que houve grande influência das religiões dos povos com as quais os judeus conviviam, ou seja, egípcios, persas, gregos e romanos.


  • Tamuz:
Deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.
  • Hórus - 3000 a.C.:

Deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua;
Nasceu de Isis, de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
Ressuscitou um homem de nome EL-AZAR-US;
Um de seus títulos é "Krst" ou "Karast";
Lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (divindade comparada a Satã);
Batizado com água por Anup;
Representado por uma cruz;
A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Rá (comparado ao Espírito Santo).

  • Mitra - séc. I a.C.:

Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol;
Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem;
Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso;
Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman;
Era considerado um professor e um grande mestre viajante;
Era identificado com o leão e o cordeiro;
Seu dia sagrado era domingo ("Sunday"), "Dia do Sol", centenas de anos antes de Cristo;
Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã;
Teve doze companheiros ou discípulos;
Executava milagres;
Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez;
Sua ressurreição era comemorada cada ano.

  • Átis (Frígia / Roma) - 1200 a.C.:
Nasceu dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma virgem;
Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
Ressuscitou no terceiro dia.

  • Buda - séc. V a.C.:


Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê;
Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual;
Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava;
Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60);
Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um "filho pródigo";
A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka);
Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo;
Após sua morte, ressuscitou (apenas na tradição chinesa).

  • Baco / Dionísio - séc. II a.C.:

Deus grego-romano do vinho;
Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus);
Quando criança, quiseram matá-lo;
Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes;
Após a morte, ressuscitou;
Era chamado de "Filho pródigo" de Zeus.

  • Hércules - séc. II a.C.:


Nascido da virgem Alcmena, que foi fecundada por Zeus;
Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal (Hera, a ciumenta esposa de Zeus);
A causadora de sua morte (sua esposa) se arrepende e se mata enforcada.
Estão presentes no momento de sua morte sua mãe e seu discípulo mais amado (Hylas);
Sua morte é acompanhada por um terremoto e um eclipse do Sol;
Após sua morte, ressuscitou, ascendendo aos céus.

  • Krishna - 3228 a.C.:


Trata-se de um avatar do Deus Vishnu – um avatar é como se fosse a personificação ou encarnação de um deus;
Nasceu no dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma virgem, Devaki ("Divina");
Uma estrela avisou a sua chegada;
É a segunda pessoa da trindade;
Foi perseguido por um tirano que requisitou o massacre dos milhares dos infantes;
Fez milagres;
Em algumas tradições morreu em uma árvore;
Após morrer, ressuscitou.


Estas coincidências biográficas, segundo os defensores de "O Mito de Cristo", provam que os autores dos Evangelhos, ao escreverem as histórias de vida de Jesus, tomaram emprestados relatos e feitos de outros deuses antigos ou heróis.

Religiosos se defendem argumentando que estes outros deuses foram criações do satanás para manipulou toda falsa adoração de modo a banalizar o nascimento de Jesus.

Fonte: http://vidaemorbita.blogspot.com/2011/07/voce-sabe-quantos-deuses-tem-historia.html

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Retrato de Jesus Cristo

Especialistas ingleses e suíços analisam lâminas de bronze encontradas na Jordânia que poderiam conter um retrato de Jesus, ao mostrar o rosto de um homem com uma coroa de espinhos e a inscrição “Salvador de Israel”.
Conforme informa o jornal britânico Daily Mail, os 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 em uma colina com vista ao Mar da Galiléia. As peças atualmente são avaliadas sob estrita confidencialidade por peritos na Inglaterra e Suíça para determinar sua antigüidade e procedência, mas se estima que datariam do século I da era cristã.
O códice mais chamativo tem o tamanho de um cartão de crédito, está selado por todos lados e oferece uma representação em três dimensões de uma cabeça humana.
O dono dos códices é Hassan Saida, um caminhoneiro beduíno que vive na aldeia árabe de Umm Al-Ghanim, Shibli. Ele negou-se a vender as peças e só cedeu duas amostras para que sejam analisadas no exterior.
Segundo o jornal, as peças foram encontradas originalmente em uma cova da cidade de Saham na Jordânia. A cova está a menos de 160 quilômetros de Qumran, a zona onde se acharam os famosos papiros do Mar Morto, uma das evidências mais famosas da historicidade do Evangelho.

Enquanto arqueólogos realizam o estudo para legitimar as peças encontradas, resta-nos como o mais verdadeiro retrato de Jesus Cristo, um texto descritivo, de valor incomensurável, escrito por Públio Lêntulus,
Públio Lêntulus é contemporâneo de Jesus Cristo e em um documento dirigido ao imperador Tibério César fez uma descrição física e espiritual de Jesus. Uma descrição de quem realmente viu-o, e no caso assistiu às pregações de Cristo. Esta carta que encontra-se exposta em Jerusalém, foi escrita ainda durante a vida de Jesus Cristo e é portanto o retrato mais fiel que se pode ter, mais ainda que qualquer texto bíblico, por haver sido escrita na época considerada. Leia o texto e revele você mesmo o retrato em sua mente: “Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar-vos, escrevo-vos esta carta. Nestes tempos apareceu na Judéia um homem de virtudes singulares, que se chama Jesus e que pelo povo é chamado de ‘O Grande Profeta’. Seus discípulos dizem ser ele o ‘Filho de Deus’. Em verdade, ó César, cada dia dele se contam raros prodígios: ressuscita os mortos, cura todas as enfermidades e tem assombrado Jerusalém com sua extraordinária doutrina. É de estatura elevada e nobre, e há tanta majestade em seu rosto que aqueles que o vêem são levados a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos cor de amêndoa madura, separados ao meio, os quais descem ondulados sobre os ombros, ao estilo dos nazarenos. Tem fronte larga e aspecto sereno. Sua pele é límpida e corada: o nariz e a boca são de admirável simetria. A barba é espessa e tem a mesma cor dos cabelos. Suas mãos são finas e longas e seus braços de uma graça harmoniosa. Seus olhos são plácidos e brilhantes, e o que surpreende é que resplandem no seu rosto como raios do sol, de modo que ninguém pode olhar fixo o seu semblante, pois quando refulge, faz temer, e quando ameniza, faz chorar. É alegre e grave ao mesmo tempo. É sóbrio e comedido em seus discursos. Condenando e repreendendo, é terrível; instruindo e exortando, sua palavra é doce e acariciadora. Ninguém o tem visto rir. Muitos, porém, o têm visto chorar. Anda com os pés descalços e com a cabeça descoberta. Há quem o despreze vendo-o à distância, mas estando em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito. Dizem que este Jesus nunca fez mal a ninguém, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm andado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde. Afirma-se que um homem como esse nunca foi visto por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, nunca se viram tão sábios conselhos e tão belas doutrinas. Há todavia os que o acusam de ser contra a lei de Vossa Majestade, porquanto afirma que reis e escravos são iguais perante Deus. Vale, da Majestade Vossa, fidelíssimo e obrigadíssimo. (ass.) Públio Lêntulo, Presidente da Judéia”.
Paulo Sotter

fonte:http://blogdosotter.blogspot.com/2011/06/o-retrato-de-jesus-cristo.html

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O que é o Espiritismo?

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade
D
eus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.
A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
Há no homem três coisas:
1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.
Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.
Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante.
Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.
A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.
Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.
O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.
Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e assemelhar-nos a eles.
As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.
Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de conseguí-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conforme os seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.
Extraído de "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec.