google analytics

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O que é messianismo

Messianismo é um fenômeno social, geralmente de cunho religiosos ou político, no qual seus participantes acreditam que um líder, visto como um salvador (um messias), levará à redenção da humanidade, de um povo ou de uma classe social, normalmente a partir de algum tipo de salvação milagrosa. O messianismo é uma crença presente tanto nas grandes religiões e seitas como em movimentos políticos utópicos, revolucionários ou populistas. Característico das tradições judaico-cristãs, o fenômeno messiânico ocorre principalmente nas culturas ocidentais expostas às influências dessas tradições. Crises sociais e o surgimento de um líder carismático, que se diz portador de uma nova visão da realidade e muitas vezes com virtudes proféticas, pavimentam o caminho para o messianismo. Tanto como fenômeno religioso ou político, o movimento messiânico baseia-se na crença de que um salvador (um emissário ou uma encarnação de Deus) colocará fim à situação de injustiça e de opressão do momento e inaugurará uma nova era de justiça e liberdade. Para tanto, esse líder dependerá da ação coletiva de um povo ou de um segmento social para tornar realidade essa nova ordem social. Um dos casos mais famosos de messianismo aconteceu na comunidade de Canudos, na Bahia, no final do século 19, onde camponeses pobres sob a liderança de Antonio Conselheiro buscaram construir uma nova sociedade baseada estritamente em dogmas religiosos.

O que é cabala

Cabala é um conjunto de doutrinas e práticas esotéricas judaicas que surgiu no século 12 a partir dos estudos, da interpretação e da prática da parte mística da Torá (conjunto dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento). Os ensinamentos filosóficos e religiosos da cabala são formados por textos e tradições orais e sua versão esotérica busca os conhecimentos secretos que não estão evidentes na Torá e que teriam sido revelados por Deus a Moisés e Adão. Segundo a cabala, a Torá contém os mistérios sobre Deus e as Leis do Universo, e com chaves numéricas (numerologia) que ajudam a desvendar esses significados ocultos e meditações é possível alcançar uma aproximação direta com Deus. As raízes da cabala estão no misticismo Merkava que floresceu na Palestina no século 1, e no "Livro da Criação", que surgiu entre os séculos 3 e 6. Além dele, o "Livro do Brilho", que surgiu no século 12, e o "Livro do Esplendor", do espanhol Moisés de León publicado no século 13, consolidaram a cabala como um tratado filosófico-religioso.

O que é cientologia

           Cientologia é uma seita religiosa criada pelo escritor Ron Hubbard, que nos anos 1950 lançou o livro "Dianética - A Ciência Moderna da Saúde Mental", uma obra que mistura ficção científica e auto-ajuda e é considerada a "escritura sagrada" da seita, e fundou a Igreja da Cientologia. No cerne da sua doutrina está a crença de que a alma humana é uma entidade imortal e que para atingir a felicidade é preciso apagar todos os "enagramas", memórias de experiências negativas acumuladas durante a vida, além de pregar que cada indivíduo pode se tornar seu próprio deus (não há uma divindade superior). O sucesso do livro e o apelo egocêntrico do credo fez a cientologia transformoar-se num movimento internacional e atrair várias celebridades de Hollywood para suas fileiras. A Igreja da Cientologia, presente em mais de 150 países, afirma que através do treinamento seus membros perceberão a si mesmos como seres espirituais e descobrirão que os "enagramas" são "blocos de energia negativa"  que inibem eles de viver livremente. No lugar do ato de rezar, a cientologia realiza uma espécie de terapia em grupo e a suposta "ciência" dessa religião vem, por exemplo, de um aparelho chamado eletropsicômetro, uma espécie de polígrafo, que aceleraria o processo de limpeza dos "enagramas".  A seita é cheia de etapas a serem vencidas pelos fiéis (e que custam muito caro) até que eles consigam receber uma chave para entrar numa sala secreta que guardaria um documento escrito por Hubbard no qual ele revela a origem do ser humano. Entre os famosos que seguem ou já seguiram a cientologia estão os atores Tom Cruise e John Travolta e o músico Beck.

O que é judaísmo

        Judaísmo é o conjunto de crenças e práticas religiosas dos judeus, e inclui também as tradições e a cultura que constituem a identidade judaica. Ele é a mais antiga e uma das maiores religiões monoteístas do mundo, junto com o cristianismo e o islamismo. O judaísmo surgiu como uma prática religiosa dos antigos hebreus baseada no texto sagrado da Torá (que na Bíblia cristã corresponde ao Velho Testamento). A principal característica do judaísmo é a crença no fato de que o povo de Israel é o eleito por Deus para servir como fonte de iluminação de outros povos. Nas raízes do judaísmo está a ideia de que Deus teria feito uma primeira aliança com o semita Abraão, marco do surgimento do monoteísmo entre as culturas politeístas da Antiguidade, e a renovou com Isac, Jacó e, finalmente, com Moisés no Monte Sinai há cerca de 3,5 mil anos. A cidade sagrada dos judeus, assim como a dos cristãos e muçulmanos, é Jerusalém. Lá foi construído o primeiro templo judaico dedicado à veneração de Deus (chamado de Javé ou Jeová) e à guarda da Arca da Aliança pelo rei Salomão no século 11 antes de Cristo (o Templo de Salomão seria destruído pelos babilônios cinco séculos depois). No judaísmo, os cultos religiosos são realizados em sinagogas e o líder religioso da comunidade judaica é o rabino. Mesmo com várias dispersões forçadas dos judeus pelo mundo (diásporas) e apesar das perseguições, a religião judaica conseguiu sobreviver e passar por algumas reformas em suas doutrinas, que criaram ramos no judaísmo menos ortodoxos. O judaísmo se fortaleceu com a criação do Estado de Israel em 1948.

O que é religião

          Religião é um fenômeno antropológico, psicológico e social através do qual os seres humanos estabelecem suas relações com o que eles consideram sagrado, espiritual ou divino. O filósofo Emile Durkheim definiu religião como um sistema unificado de crenças e práticas relativo às coisas sagradas, isto é, coisas separadas e proibidas. Para a psicologia, ela é uma projeção dos desejos humanos, enquanto a sociologia a vê como um meio de controle social baseado nos medos instintivos dos homens. O antropólogo norte-americano Clifford Geertz definiu religião como um sistema de símbolos que age para estabelecer modos e motivações poderosos, permeáveis e duradouros nos seres humanos, através da formulação de concepções de uma ordem geral da existência e de dar a essas concepções uma aura tal de concretude a ponto de esses modos e motivações parecerem realistas. A devoção é um dos mais básicos elementos da religião, sendo que condutas morais, fé, participação nas instituições religiosas, escrituras sagradas, profetas e sábios iluminados pela graça divina são os principais elementos comuns a maioria das religiões.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Os sete pecados capitais

Os sete pecados capitais ou mortais são aqueles que dão origem a todos os outros, sendo portanto a raiz de toda corrupção. Eles são a oposição das sete virtudes, que são a origem de toda santidade. Existem as sete virtudes opostas, que são a proteção e a cura dos sete pecados, e as Sete Virtudes Cardeais, que são aquelas que todos devem buscar na vida, sendo estas um reaproveitamento do conceito grego.
Teologicamente, o pecado é a culpa perante Deus. São Tomás de Aquino será um entre vários teóricos cristãos que vai se dedicar a falar sobre o tema, que será abordado muitas vezes na história do cristianismo.

A primeira coisa a se pensar sobre os pecados capitais é que eles não são o tipo de peque se comete e se arrepende muitas vezes, como atos isolados, mas são uma atitude estável, que se prolonga ao longo da vida, e são difíceis de se redimir porque para isso é necessário uma mudança na própria raiz da personalidade da pessoa. Assim, é fácil perceber que um determinado pecado vai ser recorrente na vida da pessoa, e visto por ela como um traço natural seu. O pecado vai além da transgressão moral: ele é o rompimento do plano divino, é a arma que os homens dão ao Inferno contra Deus.

O pecado que dá origem aos outros, para Tomás de Aquino, é a Soberba, ou Orgulho. Justamente por esse ser considerado um supra-pecado, acima dos outros, os teólogos, seguindo o proposto por Tomás, preferem colocar na lista dos sete a Vaidade, ou Vanglória, que é o desejo de ser superior, e essa diferença de nomenclatura fica mais clara nas línguas latinas (todo o material original de referência aos sete pecados foi escrito em latim) e um pouco mais vaga no inglês (especialmente para mim, que tenho um inglês funcional mas sem minúcias). A Vaidade leva a obsessão por estar sempre certo, e procurar reconhecimento e elogio de modo doentio. É o pecado que, junto com a Inveja, causa a queda de Lúcifer: ele considera que é mais que o homem, e decide se equiparar a Deus, ou sobrepujá-lo. O vaidoso deseja ser superior sempre, e não mede conseqüências para conseguir isso ou a ilusão da superioridade. A virtude oposta é a da Humildade.
O seguinte na lista é a Inveja. A inveja é a tristeza diante daquilo que o outro possui, e o desejo de destruir o outro e seus bens se não puder tê-los. Quem é tomado por ela nunca valoriza o que tem, e sempre julga que os outros têm coisas que não merecem. A Inveja é o pecado de Caim, e o leva a ser tomado pela Ira, como com freqüência acontece. Sua virtude oposta é a Caridade.
Ao falar da Preguiça, São Tomás usa o termo “acídia”, que tem um sentido mais amplo do que aquele em que usamos Preguiça. É a negação do esforço, o torpor, a inatividade. Está ligada à negligência e a falta de vontade. É um pecado que leva a outro bastante grave, a omissão. A virtude que se opõe a Preguiça é a Diligência.
O próximo (e meu favorito) é a Ira. É a perda do auto domínio levando à violência, é a raiva excessiva e mal direcionada. A Ira é um pecado complicado por sua ambivalência: a ira justa é a força com a qual se combate o mal, um dom divino, e permite atingir bens espirituais difíceis através da força de vontade. Mas o descontrole, o usar a ira contra tudo e qualquer coisa, é um pecado. A Ira é o pecado que leva mais facilmente a destruição física, e está ligado ao lado mais animal do ser humano. Sua virtude opositora é a Paciência.
A Avareza é a falha moral irmã da traição, como no caso de Judas. É a obsessão por juntar bens materiais, o culto ao dinheiro, a ganância. O avarento é egoísta, explorador e desonesto, e vive em função do lucro. Não sente prazer em nada, nem busca evoluir espiritualmente: só o juntar, ter, acumular, sempre mais e mais, satisfazem quem tem o pecado da Avareza. Sua virtude de oposição é a Generosidade.
A Gula, o sexto da lista, é uma deturpação de algo natural, o desejo de comer e beber. Mas o glutão não busca a saciedade, só o prazer de manter a boca cheia e o estômago trabalhando. É uma busca desordenada de prazer. Os vícios estão incluídos no pecado da Gula, sejam o fumo, o álcool, as drogas lícitas ou ilícitas. O desperdício e a embriaguez andam juntos desse pecado. Sua oposição é dada pela Temperança.
E por último, vem a Luxúria, que é a sexualidade levada à inconseqüência, o desejo desordenado, a entrega à carne. A Luxúria é descontrole, e ocupa a mente de quem se entrega a ela das maneiras mais inconvenientes. Se liga a corrupção dos costumes e a todo tipo de pecado sexual. A oposição a ela se dá pela Castidade.
Em 1589, o teólogo alemão Peter Binsfeld designou um demônio e suas hostes para cada pecado capital, de acordo com sua simbologia e representação:

Lúcifer para o Orgulho;
Leviatã para a Inveja;
Belphegor para a Preguiça;
Satã para a Ira;
Mammon para a Avareza;
Belzebu para a Gula;
Asmodeus para a Luxúria.

A maldade humana

A Maldade é como a radiação: ela é invisível, inodora e se espalha sem que se perceba. Quando penetra no indivíduo tem o poder de desencadear mutações: aquele que era bom, passa a ser mau. O seu efeito é devastador: multiplica-se exponencialmente, domina seu hospedeiro e este contamina a muitos outros.

O estágio embrionário da Maldade é a Justiça Própria. Ela se reveste dessa espessa membrana enquanto se fortalece para poder executar seus planos. Nesta fase quase ninguém lhe oferece resistência.

Depois, ela sofre sucessivas metamorfoses até chegar à forma de Hipocrisia. Os indivíduos infectados sabem que o que fazem é errado, mas como a doença lhes proporciona prazer, eles criam uma série de artifícios para anestesiar suas consciências.

Por fim, em seu grau mais avançado a Maldade se chama Falso Amor. É quando as pessoas praticam as maiores atrocidades físicas e psicológicas alegando que seus atos são "para o próprio bem" de suas vítimas.

Com essas características não é de se estranhar que existam tantas pessoas más. Mesmo indivíduos de boa índole podem ser facilmente seduzidos pelo discurso cheio de boas intenções da Maldade.

E é bastante compreensível, portanto, que ela encontre, há milênios, abrigo nas religiões fundamentalistas. Todas elas possuem um forte senso de justiça própria, cultivam a hipocrisia e praticam a malignidade em nome de um falso amor que ao invés de libertar aprisiona; ao invés de curar fere e que não re-liga, mas separa as pessoas umas das outras e estas de Deus.